Entenda o que é a autolesão, sinais de alerta, estratégias práticas de manejo e quando buscar ajuda psicológica especializada.
O que é autolesão?
Autolesão (ou automutilação não suicida) é quando a pessoa provoca ferimentos no próprio corpo para lidar com emoções intensas como tristeza, raiva, culpa ou vazio. Não é “apenas para chamar atenção”, nem significa automaticamente desejo de morrer. É, antes de tudo, um sinal de sofrimento emocional e um mecanismo de enfrentamento que precisa ser substituído por alternativas mais seguras.
Por que acontece?
- Regulação emocional: o ato pode trazer alívio momentâneo da tensão.
- Comunicação: quando faltam palavras ou há medo de julgamento, o corpo “fala”.
- Controle: em contextos de imprevisibilidade, a dor física pode parecer previsível.
Importante: Autolesão NÃO é frescura, manipulação ou “falta de limites”. Tratar assim aumenta vergonha e isolamento.
Sinais de alerta
- Feridas frequentes, cortes, arranhões, “acidentes” recorrentes.
- Uso de roupas largas ou de manga comprida mesmo em calor.
- Isolamento, mudanças bruscas de humor, objetos cortantes escondidos.
- Comentários autodepreciativos, vergonha do próprio corpo.
3 estratégias práticas (baseadas na TCC)
1) Caixa de Sobrevivência Emocional
Monte um kit para momentos de pico de tensão: bolinha antiestresse, massinha/objeto sensorial, cheiros agradáveis (lavanda, hortelã), playlist calmante, bilhetes com frases de encorajamento e contatos de segurança. A ideia é trocar o impulso por recursos que aliviem sem ferir.
2) Termômetro da Emoção + Plano de Ação
Construa uma escala pessoal de 0 a 10 e combine respostas para cada faixa:
- 4–5: música, desenho, banho morno.
- 6–7: respiração quadrada (4–4–4–4), segurar gelo, grounding (5 sentidos).
- 8–9: mandar mensagem para alguém de confiança, sair do gatilho ambiental.
- 10: acionar imediatamente um adulto de referência/terapeuta.
3) Substitutos Seguros + Ativação Comportamental
Quando o impulso vier, ofereça alternativas de sensação (gelo, elástico no pulso, desenhar com caneta vermelha onde cortaria) e, em seguida, inclua atividades curtas e estruturadas que gerem dopamina sem risco: 10 minutos de desenho, organizar uma playlist, caminhada rápida, cuidar de uma planta/pet, mini-tarefas com início-meio-fim.
Como conversar sem aumentar a vergonha
- Substitua “por que você fez isso?” por “o que estava muito difícil naquele momento?”
- Valide o sofrimento: “Eu vejo que está doendo; vamos procurar formas mais seguras de aliviar.”
- Combine acordos de segurança em vez de ameaças ou punições.
- Evite fiscalizar o corpo; foque nos gatilhos, emoções e alternativas.
Quando buscar ajuda profissional
- Se os episódios são frequentes/intensos, se houver risco aumentado, ou se a família se sente perdida para apoiar. A psicoterapia baseada em TCC auxilia a mapear gatilhos, reconstruir crenças e instalar estratégias de regulação. A avaliação médica/psiquiátrica pode ser indicada em alguns casos.
⚠️ Se houver risco imediato, acione um serviço de emergência. No Brasil, o CVV – 188 oferece apoio emocional 24h.
Conclusão
Autolesão é um pedido de ajuda. Com acolhimento, informação e estratégias certas, é possível substituir o ciclo da dor por uma rotina de cuidado e autonomia emocional.
Se você percebe sinais de autolesão ou quer aprender a intervir de forma assertiva, agende uma sessão. Vamos criar, juntos, um plano personalizado de segurança e regulação emocional para você ou para quem você ama.
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